ELVAS: Festival A SALTO decorre até domingo em vários locais da cidade
Sexta, 28 Agosto 2020 05:36

O festival A SALTO – Tomada Artística de Elvas, que vai decorrer entre esta sexta-feira, dia 28 e o próximo domingo, dia 30 de Agosto, vai desenvolver-se em vários locais da cidade de Elvas, num projecto que, desde 2016, privilegia a apresentação pública de projectos artísticos contemporâneos transdisciplinares, em diálogo com a topografia social e arquitectónica do município fronteiriço de Elvas.
A organização é da associação cultural UMCoLetivo e conta com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, Direcção Geral das Artes, Direcção Regional de Cultura, RTP, Antena 2, Antena 3, Alojamento Local em Elvas, Boutigest e Cool Guest House.
Na edição deste ano vai ser homenageado José Travanca, carpinteiro elvense "cuja oficina serviu de trabalho a inúmeros artistas das edições anteriores, carpinteiro cujas mãos serviram várias obras de colegas nossos, carpinteiro cujos olhos sempre foram sinceros na despedida "isso não é nada". Dele, aprendemos a capacidade de aprender. Era, sim, um homem que adorava desafios. "Isso agora já me vai deixar a pensar, amanhã ligo-lhe". Não será por um mero acaso que a profissão é bíblica. Sr Travanca, por todos os mundos que nos ofereceu com as suas mãos, lembrá-lo-emos", refere a organização.
"No ano em que o mundo ficou sem chão, quisemos erguer um festival para olhar o céu. Resistimos, assim, aos caprichos da vida, inventando pulmões – e não é disso que trata a arte? – que façam do caos, poemas. Citamos Lavoisier para que tudo se transforme: as máscaras, os ódios, os medos. Fizemos o festival pé-ante-pé, com a coragem silenciosa de quem resiste e resiste, colhendo confianças como Blimunda procurou vontades. Aqui estamos e estamos prontos. Cá dentro, trazemos um conto de belas adormecidas sobre o desejo de um corpo espetacular. Depois da quarentena, somámos e multiplicámos todas as saudades, num estranhofone que as canta, uma-a-uma. Calendário para um abraço ou um beijo. Como se Romeu e Romeu se reencontrassem e estes dias fossem a Homenagem ao amor em tempos de cólera, uma espécie de ritual em que celebramos estar juntos, quando comungar é raro e frágil. Vida tão só, vida tão estranha. Metemos os papéis pelas mãos. Cozinhamos paisagens no céu da boca, no céu das estrelas, no céu dos sonhos, no céu inventado pelas nossas mãos, juntas. E, por fim, chegamos a zénite".